Sabe aquela primeira pisada do dia, logo ao sair da cama, que parece um choque ou uma agulhada no centro do calcanhar? Se você já passou por isso, sabe que o instinto imediato é voltar para a cama ou mancar até o banheiro esperando que o incômodo “aqueça” e desapareça. O problema é que, para muita gente, essa dor não vai embora com o descanso. Pelo contrário, ela se torna uma companheira indesejada que dita o ritmo da rotina, limitando desde a caminhada no parque até a produtividade no trabalho. Muita gente acredita que a dor no calcanhar é sempre sinônimo de esporão.
Mas a verdade no consultório é outra: o esporão, na maioria das vezes, é apenas um figurante. O verdadeiro protagonista costuma ser a fasceíte plantar. O que acontece é um processo inflamatório ou degenerativo na fáscia, aquele tecido denso que sustenta o arco do seu pé. Quando você descansa, esse tecido encurta. Ao dar o primeiro passo, você estira essa estrutura bruscamente, gerando as microlesões que causam a dor aguda. O paradoxo do repouso Se você já tentou ficar “de molho” por uma semana e, ao voltar às atividades, a dor retornou com a mesma intensidade, você caiu no paradoxo do repouso.
Medicos que tratam hallux rigidus
Em casos crônicos, o tecido da fáscia ou do tendão de Aquiles não precisa apenas de descanso; ele precisa de carga controlada e estímulo para se regenerar. O repouso excessivo pode até enfraquecer a musculatura intrínseca do pé, piorando a biomecânica e sobrecarregando ainda mais o calcanhar. Recebi recentemente um paciente, corredor amador, que estava há três meses sem treinar, frustrado porque a dor não cedia. Na avaliação, percebemos que o problema não era a corrida em si, mas um encurtamento severo da cadeia posterior (panturrilha e isquiotibiais) combinado com um calçado inadequado para o tipo de pisada dele. Ele estava tratando o sintoma, mas ignorando a causa mecânica.
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