O novo rosto da marca: a fronteira fluida entre o modelo clássico e o influenciador digital

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Agencia Eventos

Sabe aquele frio na barriga antes de entrar em uma sala de casting? Se você trabalha no meio ou está tentando o seu lugar ao sol, conhece bem essa sensação. Mas, se você observar o que está acontecendo nos sets de filmagem e nos estúdios de fotografia agora, vai notar que o perfil de quem está ali mudou drasticamente. A pergunta que o diretor de cena faz não é mais apenas “qual a sua altura?”, mas sim “quem é você e como você se conecta com as pessoas?”. Houve um tempo, não muito distante, em que as prateleiras eram bem divididas. De um lado, tínhamos o modelo fashion: aquela criatura etérea, quase intocável, de medidas rígidas e expressão blasé, feita para o editorial de luxo. Do outro, o modelo comercial: o rosto amigável que vendia margarina ou plano de saúde. Hoje, essa linha não só ficou borrada, como praticamente desapareceu. E o “culpado” — ou melhor, o catalisador — disso foi a ascensão do influenciador digital. O que as marcas buscam agora é a tal da “verdade”. Quando uma gigante da beleza planeja uma campanha, ela não quer apenas uma pele perfeita retocada no Photoshop. Ela busca alguém que saiba segurar o produto com naturalidade, que tenha uma presença diante das câmeras que pareça um diálogo, não um monólogo. É aqui que o modelo clássico precisou aprender a ser um pouco criador de conteúdo, e o influenciador precisou entender o rigor técnico de uma produção profissional. Pense no caso de uma marca de roupas esportivas que acompanhei recentemente. Eles não contrataram apenas o modelo com o físico mais atlético do book fotográfico. Eles escolheram um rapaz que, além de ter a técnica de postura e expressão corporal, tinha uma comunidade ativa onde falava sobre superação real. No set, ele não apenas posava; ele sugeria ângulos que conversavam com o público dele. O resultado? Uma campanha que não parecia publicidade, mas um registro de vida. Essa fluidez exige uma preparação muito mais profunda do que antigamente. Não basta mais ter um portfólio artístico estático. O profissional moderno precisa dominar a arte de atuar para vídeos curtos, entender de iluminação básica para seus próprios testes e, principalmente, cultivar uma representação artística que seja coerente. Se você é agenciado, sua agência de modelos já deve ter te falado: o seu Instagram é, muitas vezes, o seu “composite” em tempo real. Mas não se engane achando que a técnica morreu. Pelo contrário. O mercado publicitário está mais exigente. Não adianta ter um milhão de seguidores se, na hora do “gravando”, você não sabe receber um direcionamento do diretor ou não tem consciência do seu próprio corpo no espaço. O domínio técnico — saber onde a luz te favorece, como interpretar um roteiro sem parecer um robô e como manter a energia alta após dez horas de set — é o que separa o amador do profissional de carreira. Estamos vivendo a era da “personalidade como ativo”. As marcas não compram mais apenas um rosto; elas compram um ponto de vista. Por isso, se você está começando ou se reinventando, o segredo não está em escolher um lado da fronteira, mas em aprender a caminhar livremente entre eles. O modelo que entende de marketing de influência e o influenciador que respeita a técnica da produção de moda são os que realmente estão ditando o ritmo das campanhas digitais e dos grandes desfiles. No fim das contas, a publicidade de marcas hoje é sobre identificação. O rosto da marca não é mais aquele que queremos ser de forma inalcançável, mas aquele que sentimos que poderia ser nosso amigo, nosso vizinho ou nós mesmos em um dia inspirado. É um mercado vibrante, humano e, acima de tudo, muito mais aberto à diversidade de histórias do que jamais foi. Se você tem algo a dizer e sabe como usar sua imagem para transmitir isso, o palco está montado.

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