Câncer de próstata: mitos e verdades

Sendo o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, o câncer de próstata fica atrás apenas do câncer de pele não melanoma em número de casos. Localizada abaixo da bexiga e na frente do reto, a próstata é uma glândula presente apenas nos homens, e tem a função de gerar um líquido cuja função é proteger e nutrir os espermatozoides. A próstata cresce ao longo da vida, sendo que seu tamanho em homens jovens, geralmente, não é muito maior do que uma ameixa.

O câncer de próstata, assim como os demais cânceres, decorre da multiplicação desordenada de células, que nascem para substituir as que vão morrendo naturalmente, crescimento desordenado este que gera os tumores.

Não existe um tipo único de câncer de próstata, ou seja, cada organismo é único. Em alguns casos o câncer cresce de forma lenta e quase imperceptível, trazendo poucas ameaças à saúde dos homens. Em outros casos, mais raros, o câncer de próstata apresenta-se de forma mais violenta, com tumores que crescem de forma rápida e que podem se espalhar para outros órgãos do corpo, podendo inclusive levar à morte.

A incidência da doença

Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, ligado ao Ministério da Saúde, o câncer de próstata atinge principalmente homens acima de 55 anos. De cada dez casos registrados, nove estão nesta faixa etária.

Além da idade, há outros fatores que podem estar relacionados ao câncer de próstata, como por exemplo o histórico de outros casos na família (casos de pai e irmãos que tiveram a doença antes dos 60 anos), bem como o sobrepeso e a obesidade.

Prevenção

Assim como outros tipos de cânceres, a redução dos índices de incidência do câncer de próstata está intimamente ligada a bons hábitos de saúde. Manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter um bom peso corporal adequado são algumas das condutas que auxiliam na prevenção à doença.

Sinais e sintomas

O câncer de próstata, na maior parte das vezes, não apresenta sintomas quando da fase inicial da doença. Quando eles surgem, geralmente em estágios mais avançados, os mais comuns são:

  • Diminuição do jato da urina
  • Dificuldades para urinar
  • Demora para começar e para terminar de urinar
  • Sangue na urina
  • Aumento da frequência do número de vezes que se urina durante o dia ou durante a noite

A presença destes sintomas não está necessariamente atrelada ao câncer de próstata, podendo eles também aparecem em doenças benignas da próstata, como a prostatite e a hiperplasia benigna, por exemplo.

Apesar de não serem sintomas exclusivos do câncer, caso algum deles seja notado é fundamental que se procure um médico o quanto antes.

Exames

O câncer de próstata, basicamente, é identificado por meio de dois exames médicos: o exame de toque retal e o exame de PSA.

Exame de toque retal: o exame é realizado por um médico que, ao introduzir o dedo devidamente protegido com luva lubrificada no reto do paciente, possibilita que a próstata seja tocada, identificando possíveis aumentos ou alterações da glândula.

Exame de PSA: é um exame de sangue capaz de aferir a quantidade do Antígeno Prostático Específico, uma proteína produzida pela próstata que, em níveis elevados, pode ser um indicativo da doença.

Tanto o exame de toque quanto o exame de sangue são apenas indicativos do câncer de próstata, não sendo totalmente capazes de confirmar a doença. A confirmação ocorre somente por meio da biópsia, que deverá ser solicitada apenas quando exista indícios advindos dos outros exames.

Rotina clínica

Há discordância entre os especialistas sobre a necessidade ou não da realização destes exames de forma rotineira, sem que haja indícios ou sintomas da doença. Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto o Ministério da Saúde não recomendam que seja realizado o rastreamento do câncer de próstata, ou seja, sua realização sem a presença de sintomas.

Para os especialistas favoráveis à realização dos exames de rotina, o maior benefício desta prática seria a possibilidade de se identificar o câncer de próstata em sua fase mais inicial, o que aumenta o sucesso do tratamento, evitando que ele chegue a uma fase mais avançada.

Já os que defendem a não realização de exames de rotina alegam que há riscos nesta prática, como por exemplo a geração de enorme ansiedade e estresse decorrente de um indício de câncer de próstata, que muitas vezes não se confirma. Além do mais, muitos casos de câncer de próstata não são agressivos, ou seja, não representam risco de vida para o paciente e, assim, o tratamento poderia trazer mais malefícios do que benefícios.

Conclusão

Falar abertamente sobre o tema, conhecer os sintomas desta doença, procurar um médico e seguir as recomendações por ele prescritas são fundamentais para identificá-la e tratá-la.

Caso haja a necessidade de realização de exames, principalmente o exame de toque retal, há que se deixar de lado o preconceito que, infelizmente, ainda atinge alguns homens. Ter consciência de que o exame não é uma afronta à masculinidade e sim um ato de respeito à sua própria saúde e às pessoas que os querem bem, que é um gesto que demonstra coragem e boa vontade, é uma mudança necessária para o eficaz combate à doença.

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