A necessidade de uma mudança alimentar

A relação que estabelecemos com os alimentos é formada por uma série de fatores e situações complexas com as quais nos deparamos ao longo da vida, influenciada por tantas variáveis quantas conseguimos pensar.

Os cheiros e sabores de nossa infância, o que nossos familiares tem o hábito de consumir, o que a propaganda nos mostra e nos vende como sendo o alimento mais saudável do mundo, o restaurante oriental da moda, a região do país e do mundo em que habitamos, e até mesmo questões mais elementares como as condições econômicas e a infraestrutura logística de um país determinam de maneira incisiva o tipo e quantidade de alimentos que ingerimos ou não.

E nesta trama complexa, uma coisa é fato, estamos comendo cada vez pior!

Segundo dados da última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada entre 2013 e 2014 pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE, a população brasileira tem o hábito de consumir diariamente 60% dos alimentos com maior teor de gordura.

Do total de brasileiros entrevistados, 37,2% disseram consumir comida muito gordurosa. Quando a mesma pergunta é feita somente para os homens, o percentual vai para 47,2%.

E o reflexo destes péssimos hábitos alimentares se mostra de forma cada vez mais clara nas ruas, já que mais da metade da população brasileira está com sobrepeso (54% da população). Já a obesidade, que é o excesso de gordura – um passo além do sobrepeso, atinge 18,9% dos brasileiros. Estes são os dados Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, divulgados pelo Ministério da Saúde em junho de 2018.

E o pior de tudo, estas condições aumentam cada vez mais entre as gerações mais novas. Entre 2007 e 2017 o crescimento da obesidade foi da ordem de 110% entre os jovens, e o sobrepeso apresentou aumento de 56% dentro desta mesma faixa etária, ainda segundo a pesquisa.

As causas do problema

Longe de ser apenas uma questão estética, as condições de sobrepeso e obesidade podem criar ou agravar uma série de graves problemas de saúde, como hipertensão, diabetes, doenças coronárias e tantas outras, que muitas vezes podem levar à incapacitação e à morte.

Dentre as causas mais comuns da obesidade e do sobrepeso estão o sedentarismo, a má alimentação, problemas metabólicos, distúrbios alimentares e outras condições médicas.

Portanto, buscar profissionais de saúde capazes de identificar o que está causando tais condições corpóreas é de extrema importância.

Se o distúrbio tem fundo psicológico, procurar um psicólogo ou um psiquiatra, a depender do caso é o primeiro passo. Se o problema de sobrepeso decorre de uma descompensação metabólica ou hormonal, um endocrinologista é o especialista a ser buscado. Se a questão são os hábitos alimentares, um nutricionista ou médico nutrólogo é quem poderá elaborar uma dieta mais adequada e saudável.

Obviamente que essa divisão entre as especialidades não é estanque, já que muitos dos casos demandam que todas essas especialidades trabalhem juntas, de forma multidisciplinar.

Como começar a mudar?

Identificadas as causas da obesidade e do sobrepeso, excluídos problemas médicos mais graves ou iniciados os tratamentos necessários, agora é a hora de começarmos a mudança de fato.

E basicamente existem dois caminhos necessários a serem trilhados: mudanças nos hábitos alimentares e a prática de atividades físicas.

E na questão alimentar, o primeiro passo para a ser dado rumo a uma alimentação mais saudável é deixarmos de lado o consumo dos alimentos altamente calóricos e pouco nutritivos, como por exemplo refrigerantes, sorvetes, pizzas, lanches, sucos industrializados, biscoitos recheados e afins.

Uma boa dica é nos afastarmos dos alimentos industrializados e processados em geral, que em sua maioria são altamente calóricos, cheios de açúcares e com sódio em excesso, além de repletos de conservantes, estabilizantes, espessantes, saborizantes, aromatizantes e por aí vai.

Quanto mais fresco e natural o alimento, ou seja, quanto menor o caminho percorrido por ele do produtor até o consumidor, a tendência é que ele seja mais saudável e nutritivo.

Frutas, verduras, legumes e grãos devem ser consumidos em abundância, pois são ricos em vitaminas, fibras e minerais e, além de saciarem a fome, também ajudam o organismo a manter a imunidade em alta.

Carnes, leites, ovos e derivados devem também fazer parte das nossas refeições diárias, com preferência para as carnes mais magras.

Uma excelente dica para conquistar uma alimentação mais saudável é o Guia Alimentar – como ter uma alimentação saudável, elaborado pelo Ministério da Saúde. Além de trazer 10 passos para fundamentar escolhas alimentares mais adequadas, o guia também nos traz um teste para medir como está a nossa alimentação.

Além de boas escolhas alimentares, outro pilar fundamental para mantermos uma vida mais saudável é a prática de exercícios físicos.

A OMS – Organização Mundial de Saúde recomenda uma quantidade mínima diária de exercícios, que varia de acordo com a faixa etária e os objetivos almejados pelas pessoas.

Para as crianças entre 5 a 17 anos a recomendação é de no mínimo 60 minutos diários de atividades físicas, de intensidade moderada a vigorosa.

Para as pessoas com mais de 18 anos a recomendação é que sejam realizados pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada ou ao menos 75 minutos de exercícios físicos vigorosos ao longo da semana.

Para os idosos com mais de 65 anos são recomendadas atividades físicas que melhorem o equilíbrio e ajudem no fortalecimento muscular.

Mantendo o foco!

Para que a mudança ocorra de fato e os maus hábitos sejam deixados de lado, é necessário bastante persistência e foco.

As mudanças nem sempre são fáceis. De início, nosso corpo, que está tão acostumado e domesticado a consumir alimentos de baixa qualidade, pode sim tentar nos sabotar e nos tirar do caminho correto.

Portanto, mantermo-nos sempre vigilantes, alertas e conscientes para o fato de que nossas escolhas alimentares impactam não só em nossas vidas, mas também na vida das pessoas que amamos, nos ajuda seguir nos trilhos, com muito mais saúde, mobilidade e disposição para o que der e vier!

 

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